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Agronegócio: exportadoras registram lucro recorde com dólar favorável

Proteína e grãos lideram ganhos de margem no trimestre, mas custos logísticos e clima ainda limitam parte do upside.

Ilustração editorial sobre agronegócio
Ilustração: arquivo Resultado Brasil

Exportadoras do agronegócio brasileiro fecharam o primeiro trimestre de 2026 com alguns dos melhores resultados líquidos da série recente. A combinação de preços internacionais resilientes em proteína animal, volumes de embarque estáveis e câmbio favorável para receita em dólar criou ambiente propício — especialmente para empresas com custo de produção em real e receita indexada ao exterior.

O EBITDA ajustado acompanhou a expansão, com margem sobre receita em alta em processadoras de carne e em tradings de grãos com exposição cambial bem gerida. Ajustes foram menores que em trimestres anteriores, quando ganhos pontuais de estoque e hedge distorceram comparativos.

Proteína versus grãos

Exportadoras de frango, suíno e bovino reportaram margens operacionais superiores à média histórica de cinco anos. Demanda da Ásia e normalização de fluxos logísticos ajudaram. Já empresas focadas em grãos enfrentaram maior volatilidade de prêmio de exportação e custo de frete interno, o que moderou o ganho de margem em relação às proteínas.

No agro exportador, o resultado líquido é metade operação e metade câmbio — ignorar um dos lados distorce qualquer comparativo setorial.

Comparativo com petróleo e varejo

Assim como petroleiras, exportadoras agropecuárias dependem de preço internacional — mas com dinâmica de oferta e demanda distinta. Enquanto o petróleo sofreu compressão de margem no 1T26, o agro exportador surfou câmbio e preço de commodity agrícola. O varejo doméstico, ancorado no consumo interno, não teve o mesmo vento de conversão cambial.

Riscos no horizonte

Executivos alertaram para incerteza climática na safra seguinte e para possível normalização do câmbio. Investimentos em sustentabilidade e rastreabilidade da cadeia seguem elevados, pressionando capex. O mercado parece disposto a pagar prêmio por empresas que demonstram conversão consistente de EBITDA em caixa livre, sem depender apenas de marcação cambial.

Compare com petróleo e gás e varejo alimentar para ver como o mesmo trimestre produz leituras opostas conforme a exposição geográfica da receita.