O setor de telecomunicações no Brasil vive um paradoxo familiar aos leitores de balanços: métricas operacionais de receita e EBITDA ajustado melhoram gradualmente, enquanto o resultado líquido permanece negativo em algumas operadoras de médio porte. O primeiro trimestre de 2026 não quebrou esse padrão.
Empresas que investiram pesado em 5G e fibra óptica carregam base de depreciação elevada. Somam-se juros de dívida contratada para financiar expansão de cobertura. O EBITDA ajustado — que exclui certos custos de reestruturação — pinta retrato menos severo, mas o investidor de longo prazo acompanha quando o lucro contábil convergirá com a operação.
Receita e ARPU
A receita de serviços cresceu em linha com inflação e migração de clientes para planos pós-pagos de maior valor. O ARPU (receita média por usuário) subiu em operadoras que reduziram promoções de curto prazo. Ainda assim, competição em banda larga fixa limitou repasse de preço em algumas regiões metropolitanas.
Telecom é o lembrete de que EBITDA positivo não garante lucro quando o ativo intangível e a rede depreciam rápido.
Comparativo setorial
Frente a transmissoras de energia ou saneadoras, telecom tem margem operacional mais volátil e capex contínuo em tecnologia. Comparado ao varejo alimentar, exibe maior alavancagem e ciclo de investimento mais longo. Bancos digitais, embora também disputem o bolso do consumidor, operam com ativos mais leves e provisão de risco no lugar de depreciação de torres.
Caminho para lucro
Executivos reforçaram foco em eficiência de rede compartilhada e venda de torres ou fibera para fundos de infraestrutura. A estratégia visa reduzir capex de manutenção e melhorar conversão de caixa. O mercado aguarda evidência de que desalavancagem e monetização de ativos compensarão o ciclo de investimento.
Veja comparativo de bancos digitais e recuperação do varejo para contrastar estruturas de custo.